blog

diário de bordo açoriana

dicas e relatos de viagens por quem entende de viajens

voltar

Dicas de Viagem

postado dia 26/04/2016

Tour de Bike Dordogne

Pedalando pela Dordogne por Roberto Peixoto

 

Depois de conhecer a Provence e a Toscana de bicicleta nos anos anteriores, em 2011 foi a vez da Dordogne, no sudoeste da França, em um roteiro que vai margeando o rio de mesmo nome. Apesar de estarmos quase sempre próximos aos rios Dordogne e Vézère, o roteiro não é tão plano como o percurso do Vale do Loire, que também segue um rio da França, no caso o Loire. Em relação a Toscana, esse tour é mais fácil, pois as subidas não são tão longas como na Itália. E se compararmos com a Provence, um pouco também, pois nos caminhos da Dordogne você está mais protegido pelo verde, pelas árvores e também pela temperatura mais amena. Considero a Dordogne e a Provence no mesmo patamar médio de dificuldade. Ou seja, para fazer esse tour você não pode ser um sedentário e deve no mínimo praticar alguma atividade física de forma regular. E ser ao menos um ciclista de passeio nos finais de semana. Afinal, pedalar na rua não é só exercício, mas também equilíbrio, agilidade e noção do espaço ao seu redor. Você pode até sentir um pouco de dificuldade nos primeiros dias, mas devido ao seu condicionamento físico básico, logo ganha resistência e tira o tour de letra. Quanto melhor seu preparo, mais prazerosa é a viagem. É muito legal ver a evolução dos “marinheiros de primeira viagem” durante a semana. E a grande maioria deles volta para casa decidido a pedalar com mais frequência. Tiro por mim. A Dordogne é notória pelos seus sítios arqueológicos pré-históricos e vilarejos medievais. E por sua gastronomia, que satisfaz o mais exigente dos gourmets. Aqui é o berço do famoso foie gras e das trufas negras, que crescem nas raízes dos carvalhos abundantes nessa região. Não é a toa que o inglês Bernard Dugdale, que organiza esses roteiros de bike que faço, escolheu a Dordogne para iniciar sua empresa em 1997. Dessa vez, ao invés de Paris, resolvi chegar por Londres para rever a cidade onde passei alguns meses entre 1990 e 1991. Lá fiquei uns dias hospedado na casa de uma amiga e terminada a primeira etapa da viagem, peguei o trem Eurostar em St. Pancras que me levaria à Lille, e na sequência à Angouleme, onde estariam me esperando com o transfer para Les Eyzies, ponto de partida do nosso tour. A viagem até Lille leva pouco mais de 1 hora e meia, e dentro do túnel mesmo, sob o canal da macha, não se fica mais que 20 minutos. Em Lille tive aproximadamente uma hora para mudar de estação (Lille Europe para Lille Flandres, uns 500 metros de distância), e seguir para Angouleme (mais 4 horas e pouco de viagem). Ao chegar na estação em Angouleme, pouco depois das 5 da tarde, logo encontrei meu transfer e o resto do grupo que tinha chegado em um trem anterior ao meu, vindo de Paris. Eram três casais que coincidentemente vinham da Austrália, sem se conhecerem. Marjorie e Jim, na faixa dos 70 anos, Jeniffer e Angus, mais jovens, em torno de 45 provavelmente, e Brian e Julie, também na mesma faixa etária mas bem mais quietos que o restante do grupo. Dessa vez o guia seria Toby, um inglês de 35 anos, que quando não estava guiando pela França, estudava economia na Inglaterra. Levamos mais 2 horas para chegar em Les Eyzies, o que foi bom para o pessoal ir se entrosando, se conhecendo. Toby estava nos aguardando para fazer o check-in e combinamos de nos encontrar no jardim para um vinho rosé de boas vindas antes do jantar que seria no restaurante do próprio hotel. O "Moulin de la Beune" é um hotel simples mas muito charmoso. Por ele passa um pequeno riacho - La Beune - que faz girar um pequeno moinho ao lado do restaurante…daí o nome do hotel. Como estávamos na Dordogne, o cardápio da noite não podia deixar de ter pato, que foi escolhido por todos. De entrada ainda tivemos um risoto de cogumelos, e de sobremesa um sobert de limão com fatias de abacaxi cortados como carpaccio. Um ótimo começo. No dia seguinte, o encontro no café da manhã ficou marcado para às 8h30. Em cada lugar da mesa já estava servido um pequeno prato com 1 mini croissant, 1 mini pan au chocolat, e 2 pequenas fatias de outro pão tipo baguete. Era quase que um “menu degustação” de pães, acompanhado de geléia e manteiga. E para beber, suco de laranja, café e leite. Às 10h deveríamos estar com as malas na recepção, mas antes nos foram distribuídas nossas panniers (bolsa da bike), garrafa d’água e etiquetas de mala, que serviriam para identificá-las para o pessoal que faz o transporte delas. E já no primeiro dia surgem as dúvidas dos “marinheiros de primeira viagem”: Tem van de apoio? Não, não tem. Quem transporta as malas é alguém já contratado pra isso em cada local. Conosco segue somente o guia na sua bike carregando duas panniers com coisas para qualquer emergência: ferramentas, câmeras sobressalentes, bomba, kit de primeiros socorros, etc. E os documentos como passaporte, passagem e dinheiro? Eu deixo sempre na mala e nunca tive problema. Acho muito mais arriscado andar com isso comigo o dia inteiro na bike, do que deixar que levem para o próximo hotel logo pela manhã. Comigo só levo um documento de identidade comum, um pouco de dinheiro para pequenos gastos, um cartão de crédito e o celular. E claro, capa de chuva, boné, óculos de sol, protetor solar e câmera fotográfica. Toby também nos entrega no primeiro dia um mapa de toda a região que vamos pedalar, e uma lista com todos os hotéis que vamos ficar. Pontualmente às 10 da manhã, com tudo já na recepção do hotel, fomos pegar as bikes. Toby separou uma a uma conforme a altura de cada um, e foi regulando o selim, freios, velocímetro, pedais e ajuste do pannier. Depois ele fez um briefing de como seria o nosso dia: mostrou no mapa o percurso que iríamos fazer, o que iríamos ver, onde parar, quando comer, etc. Capas de chuva e capacetes também foram disponibilizados para quem quisesse. Como esse primeiro dia seria mais light, saímos só perto das 11h, e logo chegamos a Limeuil, onde o almoço foi em um restaurante com mesas ao ar livre, ao lado do encontro dos rios Vézère e Dordogne. No cardápio, omelete de cogumelos e pimentões, e de sobremesa, deliciosos morangos com sorvete e chantilly. A bebida foi uma cidra local. Dali seguimos ao lado do rio Dordogne passando por vários vilarejos até chegar em Beynac por volta das 6 da tarde, percorrendo um total aproximado de 56 km nesse primeiro dia. O calor não era tão grande, e até pegamos uma chuvinha leve num determinado trecho. O jantar num restaurante na beira do Dordogne foi outro festival de sabores: foie gras de entrada e um atum grelhado sobre uma cama de legumes e macarrão grego de prato principal. A sobremesa, torta de nozes. Tudo devidamente acompanhado de vinhos “nacionais”. Na manhã seguinte, Toby e eu subimos no Castelo de Beynac para dar uma olhada na vista. Julie e Brian já tinham ido no dia anterior, e encontramos Jen e Angus voltando de lá quando subíamos. Caía uma chuva fininha, e devia estar fazendo uns 15 graus. De lá, pegamos as bikes e seguimos por uns 10-15 minutos até o Castelo de Castelnaud, num vilarejo logo ao lado de Beynac. Toby ficou cuidando das bikes e o resto do grupo subiu à pé para visitar o museu que fica dentro do castelo, de onde a vista do Dordogne é fabulosa, ainda mais com a saída do sol. Voltamos a nos encontrar às 11h e seguimos até La Roque, outro vilarejo margeando o Dordogne. Ali as construções são todas grudadas nos grandes paredões de pedras, e ficam debruçadas sobre o rio. Demos uma volta por ali e tocamos em frente em direção a Domme, onde iríamos almoçar. Domme fica em cima de uma colina que tivemos que vencer com certa bravura, mas foi uma subida tranquila, protegida por bastante sombra. A vista panorâmica lá de cima também é muito bonita. Por lá almoçamos numa bolangerie onde eu comi um Croque Monsieur e uma tortinha de nozes. A partir de Domme começaram os trechos mais pesados, que me lembraram muito as longas subidas da Toscana. Mas como a temperatura estava mais amena, e muitos trechos eram sombreados, não sentimos tanta dificuldade. Quem mais sentiu hoje foi Marjorie e pouco antes de chegarmos a Cales, Toby providenciou um transporte para levá-la para o hotel. E Julie acabou indo junto. Com o grupo reduzido, pudemos acelerar um pouco mais e antes das 5 da tarde já estávamos chegando no hotel em Cales. A distância percorrida nesse dia foi basicamente a mesma do dia anterior, porém subimos bem mais. No primeiro dia, entre subidas e descidas, acabamos por subir (ganho de altitude) 435 metros, enquanto que hoje subimos quase 700 metros. Deixamos as coisas nos quartos e fomos para piscina tomar umas cervejas antes do jantar. Lá mesmo já fizemos as escolhas no cardápio do jantar preparado especialmente para o nosso grupo. De banho tomado, nos encontramos no restaurante do hotel onde éramos os únicos. Cales é um vilarejo mínimo, e como já era final de temporada, o hotel estava aberto praticamente só para nós. A mesa, debruçada sobre uma janela que dava para um jardim, tinha uma vista do por do sol maravilhoso. Antes de tudo, como aperitivo, nos foi servido um prato com melão e presunto, cortados de várias formas. Como de entrada todos escolhemos o salmão defumado, eles acabaram nos servindo 2 porções da outra opção de entrada, só para termos a oportunidade de experimentar: patê de porco selvagem com salada. Em seguida , como prato principal, comi um cordeiro e de sobremesa um sorvete de café. Além do vinho, Toby e eu ainda “traçamos” uma taça de conhaque no final do jantar, que foi muito divertido com as conversas fluindo mais soltas. Nosso 3o. dia de pedal amanheceu lindo, porém bem friozinho: uns 15 graus novamente. Depois de sairmos as 9h30, a primeira parada foi logo no começo, no Moulin de Caugnaguet, onde visitamos esse pequeno moinho antigo que funciona até hoje. A partir dali, o percurso foi bem variado, entre subidas e descidas, mais ou menos leves, e com muitos trechos sombreados. Como a temperatura não estava muito alta, tivemos até que usar jaquetas nas descidas, pois o vento frio fazia a gente congelar. Nossa próxima parada foi a impressionante Rocamadour, outra vila incrustada nas pedras, que vem a ser um destino turístico e de peregrinação, graças a estátua da Virgem Negra (séc. XII), a qual são atribuídos vários milagres. Aqui cada um foi para um lado e ficamos quase 2 horas pois foi onde almoçamos. Dei umas voltas pelas ruelas do vilarejo que fica praticamente embaixo de uma grande rocha onde está incrustada a capela com a tal imagem milagrosa. Depois de dar uma espiada nas lojinhas turísticas, comprei uma baguete e um refrigerante e fui comer perto de onde tínhamos deixado as bicicletas. Na procura de um café, encontrei Toby e ficamos de papo até a hora de partir. De Rocamadour seguimos em direção as grutas de Padirac, uma imensa abertura na terra que forma a entrada dessa série de cavernas subterrâneas. Desce-se mais de 100 metros de profundidade para visitar esses túneis formados há mais de 1 milhão de anos. Depois de um percurso a pé e outro de barco, chega-se à um grande vão com 94 metros de altura, repleto de estalagmites gigantes. Para finalizar o dia, pegamos um atalho de uns 7km de estrada de pedra, para chegarmos mais rápido a Loubressac, nosso pouso daquela noite. Hoje pedalamos somente 40 quilômetros, e subimos um pouco mais: 790 metros aproximadamente. Mas foram subidas mais suaves, espalhadas por todo o dia. E em termos de tempo efetivo pedalado, foram somente 3 horas, diferentemente das 4 horas dos dias anteriores. Apesar de menos quilometragem, o dia foi maior por causa das longas paradas no moinho, em Rocamadour e na gruta de Padirac. Tomamos umas cervejas no terraço do hotel e ficamos jogando conversa fora, como se não tivéssemos passado o dia todo juntos. O jantar dessa noite foi um dos mais fartos, e quase não consegui terminar a sobremesa. Escolhi um peixe do local como entrada, seguido de um contra-filé com batata e cream-cheese. Antes da sobremesa, um prato com 3 tipos de queijos, terminando com uma torta de cramberry e sorvete. Antes de dormir ainda fomos dar uma volta pela minúscula vila medieval, para tentar inutilmente “gastar" o jantar. Acordamos em Loubressac para nosso 4o. dia de pedal com o tempo fechado. Não estava tão frio, mas logo começou uma chuva fininha. Depois de uma subida razoavelmente leve, porém longa, pegamos umas das descidas mais gostosas até aqui. É que algumas descidas, por serem muito sinuosas, não se consegue se “soltar” muito por não se saber o que vem pela frente. Essa tinha curvas, mas grandes trechos retos e curvas bem visíveis. E ela desembocava num visual incrível do vale do pequeno vilarejo de Autoire. Aliás, é o que mais encontramos pelo caminho…vilarejos super antigos, medievais, construções de pedra; tudo muito bucólico. As estradas são impecavelmente asfaltadas, algumas com faixa única. As construções das vilas tem no mínimo 500 anos, e existem também muitos paredões de pedras enormes, repletas de ranhuras, graças à erosão causada pelas águas dos rios, há milhões de anos. Sem falar no verde abundante. Um pouco antes do meio-dia paramos para um café em St. Céré, uma cidadezinha maior, com mercado no centro, trânsito e muitos turistas. Seguindo viagem, a chuva começou a apertar. Foi um longo trecho de chuva fina, porém constante, até chegarmos em Carennat, onde estava programado de almoçarmos. Aqui voltamos a encontrar o rio Dordogne depois de algum tempo. Carennat é outro vilarejo bem pequeno debruçado no rio, onde almoçamos umas omeletes e tartines num pequeno restaurante bem rústico à beira do rio. Como tomamos muita chuva antes do almoço, demos um tempo para ela passar e para nos secarmos (e nos esquentarmos) um pouco. A estrada no trecho seguinte era com muito verde, passando pelo meio de muitas matas e campos. Nada no meio do nada e um silêncio total. Por alguns instantes você se sente inatingível, como se qualquer ameaça do mundo moderno não pudesse chegar até você nesse lugar tão remoto. Não demorou muito para chegarmos à Gluges, onde passaríamos aquela noite. Hoje subimos pouco mais de 500 metros, percorremos um total de 47 quilômetros, e pedalamos efetivamente por 3 horas. Como não tinha ninguém no hotel para nos receber, Toby que já é local, fez nosso check-in. Na verdade as chaves dos quartos já estavam sobre o balcão da entrada com um bilhete indicando qual quarto era de quem; simples assim. Deixamos as coisas nos quartos e descemos pra uns drinks. Toby começou a vasculhar as geladeiras do bar a procura de algo, e acabou nos servindo um vinho rosê. Mais tarde apareceu a dona do hotel, e depois o dono. Tudo muito informal, muitas brincadeira, muita simpatia e hospitalidade. Antes do jantar sentamos para uns drinks num lounge com lareira, ao lado do restaurante. Tomamos um vinho de nozes, meio licoroso tipo um vinho do Porto, tradicional do local. A entrada do jantar foi um prato com um mix de salames, presuntos, e outros embutidos, acompanhado de salada de alface e tomate colhidos no próprio hotel. Como prato principal, quase todos pediram a massa com foie gras e molho. Só que a diferença aqui é que não era patê, e sim o fígado em si. Posso dizer que foi uma da coisas mais sensacionais que eu já comi na vida. O vinho branco que acompanhou na salada foi substituído por um tinto local só possível comprar ali na região. E lá se foram umas 4 garrafas. Façam a média. A sobremesa que eu escolhi foi um merengue de claras bem fofo flutuando sobre uma calda de custard (creme ingles, de baunilha), tudo num enorme taça de Sunday. Apesar do tamanho era super leve. Enquanto o resto da turma se rendeu, Toby, Jen e eu ainda encaramos um vinho de ameixa. Ameixa e nozes são muito comuns na região da Dordogne, por isso todos esses vinhos, licores e tortas dessas frutas. O quinto dia começou bem diferente. Depois do café no hotel em Gluges saímos com as bikes para logo em seguida pararmos num dos pontos de aluguel de caiaque ao longo do Dordogne, pois seria o dia de canoagem pelo rio. Enquanto descíamos o rio, as bikes foram levadas até o ponto onde terminaria o passeio. Foram uns 10 km remando em caiaques para 2 pessoas, entre trechos calmos e algumas pequenas corredeiras. Como Marjorie resolveu não pedalar nesse dia, meu companheiro de caiaque foi Jim, enquanto que os outros casais foram cada um em seus barcos. E Toby foi de bike. Enquanto estávamos no rio, Toby providenciou a comida para nosso piquenique já que a previsão do tempo era bem melhor que a do dia anterior. Depois da canoagem seguimos de bike, até chegarmos onde faríamos nosso piquenique, ao lado de uma das várias pontes que cruzam o Dordogne. Baguete, patês, tomate, abacate, queijos, presunto e batata chips fizeram parte do cardápio. Dali seguimos subindo e descendo em direção a Sarlat, uma das “pérolas” do roteiro. Esse ultimo trecho do dia foi por uma ciclovia construída sobre um antiga linha de trem. O percurso passa por vilas, florestas e rochas cobertas de vegetação onde a temperatura chega a cair uns 5 graus. Se descontarmos os 10 quilômetros pelo rio, pedalamos 53 quilômetros e subimos mais de 900 metros que, a essa altura do campeonato, depois de já estarmos pedalando há 5 dias, pareceram bem menos. Sarlat é uma das cidades mais conhecidas da Dordgone, famosa pela suas feiras de fois gras e trufas, e por sua arquitetura medieval e renascentista, toda revitalizada. Uma vez instalados e depois de um rápido banho fomos para a praça principal de Sarlat, num café para alguns drinks antes do jantar. Alguns Mojitos, Cosmopolitans e cervejas depois, fomos pro restaurante onde tínhamos reserva para o jantar. O restaurante ali perto, numa das muitas vielas de Sarlat, era todo de pedra, e meio restaurante, meio club, pela sua decoração. Dessa vez experimentei um confit de canar. Canar é pato em francês, e confit é todo o prato onde a carne é cozida lentamente na própria gordura. Ou seja, uma coisa muito "light" “. A quinta-feira já é tradicionalmente o dia de se “colocar o pé na jaca”, uma vez que sábado temos que acordar muito cedo para pegar nossos trens de volta. Depois do jantar fomos tomar mais uns drinks num bar ali perto. Toby estava a fim de comemorar, já que esse era o ultimo tour dele da temporada e na semana seguinte era seu aniversário. Bebemos brandy, cerveja e vodka. Aí Toby apareceu com um ponche de pêssego meio esquisito, doce demais que eu não consegui terminar. Jen tomou uma taça de Champagne e Angus outra cerveja. E no final ainda encerramos com alguns shots de Tequila. As 7 e meia da manhã seguinte já estava de pé sem ressaca nenhuma. Esse ar da França estava me fazendo muito bem. Nossa saída de Sarlat estava marcada para as 10h, e amanheceu um dia lindo e quente, perfeito para fechar nossa semana na Dordogne com chave de ouro. Toby providenciou novamente a comida pro piquenique e dividimos tudo pelas bolsas de cada um. Rotas traçadas, saímos com destino à Les Eyzies (depois de uma semana, já sabíamos pronunciar devidamente : LEZEZÍ). Esse é um dos percursos mais curtos - 37 quilômetros, mas com muitas subidas e descidas - ganho de 790 metros. Toby então sugeriu de pegarmos um caminho diferente, que aumentaria o total desse dia em uns 15 quilômetros. Topamos na hora. Todos os dias, quando chegamos em nosso destino, a sensação de “missão cumprida” e de “desafio vencido” é muito gostosa, e a evolução física dos menos preparados é evidente. Paramos para mais um piquenique, evidentemente no lado de um rio, que dessa vez era o Vérzère. No ponto que estávamos já não veríamos mais o Dordogne, que no final das contas devemos ter atravessado umas 10 vezes. Depois do piquenique, paramos para um café, ir no banheiro e encher as garrafas de água. A proxima parada foi no sitio arqueológico La Roque St. Christophe, onde há milhões de anos existiu uma cidade dentro de uma fenda gigantesca na rocha, e onde hoje funciona o museu que conta a história dessa cidade pré-histórica. Dali seguimos para nossa última “perna” até Les Eyzies. Tomamos banho e nos encontramos no jardim pra mais uma rodada de vinho rosé, onde pedi para que cada um assinasse no mapa do nosso percurso, para então emoldurar, conforme idéia do Angus. Depois de mais um magnífico jantar, fomos pro jardim novamente para o café, onde aproveitei e falei em nome de todos, agradecendo a magnífica semana que tínhamos tido, o cuidado que Toby teve conosco, e fazendo questão de ressaltar a maneira única que a Chain Gang faz esses tours de bike. Depois disso, só nos restou rever alguns momentos daquela semana através das minhas fotos e vídeos. Despedimos-nos no jardim, pois Jen, Gus e eu pegaríamos o transfer de volta à Angouleme bem cedo no dia seguinte, enquanto que os demais sairiam mais tarde. Encontramos-nos no café da manhã onde Toby também apareceu para nos “despachar”, e preparar ele mesmo nosso café. Seguimos até Angoulene. Angus e Jen seguiram pra o aeroporto em Paris para pegar o voo para Veneza. Eu segui para Paris para mais uns 2 dias e depois, de volta para o Brasil.

__________________________________________________________________________

Roberto Peixoto, 49 anos, é arquiteto em Florianópolis, e desde 2009 vai todos anos pedalar na Europa, contabilizando 9 roteiros até 2015. Em 2014 repetiu esse roteiro da Dordogne e esse ano vai reencontrar Jeniffer e Angus refazendo o roteiro da Provence pela 4a. vez, acompanhando um grupo da Açoriana Turismo

galeria de imagens
comentários

leia também

Dicas de Viagem
postado: dia 28/04/2016

Viagens da Maria - Kiel

Dicas de Viagem
postado: dia 28/04/2016

Viagens da Maria - Copenhagen

Dicas de Viagem
postado: dia 28/04/2016

Viagens da Maria - São Petersburgo - Russia